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Biodiversidade e biologia das plantas invasoras

As plantas reproduzem-se principalmente por sementes, mas o seu crescimento e permanência no solo dependem do seu sistema radicular, o que constitui um aspeto fundamental quando falamos de espécies invasoras. Estas plantas necessitam de sol, água, nutrientes do solo e da capacidade de superar os elementos alelopáticos da cobertura vegetal existente, que tentam impedir a germinação de novas sementes. As sementes são difíceis de controlar, uma vez que podem ser transportadas pelo vento, pela água ou pelos animais, tornando a sua dispersão muito aleatória. No entanto, um fator que facilita a sua implantação é o estado físico do solo. Após movimentações de terra, o solo fica nu, sem vegetação que atue como barreira natural para travar a instalação de novas sementes, o que favorece a colonização por plantas adventícias, exóticas ou não. Do mesmo modo, o corte realizado ao nível do solo, sem respeitar uma altura prudente, também contribui para essa implantação. É fácil de compreender: se a vegetação é alta, a semente pode chegar a entrar em contacto com o solo, mas não terá luz suficiente para germinar, ou pode ficar presa na parte superior da vegetação, sem acesso aos nutrientes do solo. Em ambos os casos, a germinação é dificultada. Por isso, o primeiro passo é respeitar e proteger a cobertura vegetal do solo. Se a semente conseguir germinar, desenvolverá um sistema radicular característico da sua família, mais ou menos complexo, mas sempre muito adaptado ao seu meio envolvente (luz, água, nutrientes, resistência a predadores e doenças). No caso das espécies exóticas invasoras, têm a vantagem de não possuírem predadores naturais na nova zona, o que lhes permite um melhor acesso a recursos como a água e os nutrientes.
deraciner tipos de raizes
Como resultado, observa-se um desenvolvimento mais vigoroso da planta, um sistema radicular mais eficiente e uma maior capacidade de reprodução vegetativa através da acamagem dos caules, o que se traduz numa ocupação desproporcionada do solo, deslocando a vegetação autóctone. A extração seletiva de plantas invasoras é, portanto, a melhor solução, pois protege o solo e devolve espaço e luz às espécies de menor porte próprias do ecossistema local. De seguida, apresenta-se um resumo dos diferentes tipos de raízes e estruturas vegetativas que favorecem a colonização do meio envolvente, aproveitando as suas funções adquiridas no habitat de origem como vantagem competitiva face à flora autóctone:
Nome Tipo Estrutura Função principal Benefício para a planta
Raiz pivotante Raiz Raiz principal grossa, com ramificações Absorver água em profundidade, fixar firmemente Permite aceder a camadas profundas do solo e resistir à seca
Raiz fasciculada Raiz Conjunto de raízes finas, sem raiz principal Absorver água e nutrientes nas camadas superficiais Cobre maior superfície, útil em solos pobres ou sujeitos à erosão
Raízes adventícias Raiz Raízes que nascem de caules ou folhas Fixação, suporte, regeneração Permite enraizar facilmente e sobreviver em meios instáveis
Rizoma Propagação vegetativa Caule subterrâneo horizontal, com nós e gomos Armazenar nutrientes e multiplicar-se vegetativamente Permite colonizar o solo e rebrotar após condições adversas
Estolho Propagação vegetativa Caule rastejante que gera rebentos à distância Multiplicação vegetativa rápida à superfície Facilita a expansão horizontal do indivíduo
Macolla Propagação vegetativa Conjunto de rebentos que emergem da base da planta Regeneração, fortalecimento do indivíduo original Permite formar clones compactos e resistir a cortes ou ao stresse
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